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“Compassion is an unstable emotion. It needs to be translated into action, or it withers. The question is what to do with the feelings that have been aroused, the knowledge that has been communicated. People don't become inured to what they are shown ... because of the quantity of images dumped on them. It is passivity that dulls feeling.”

“Os personagens de Hamsun vêm do mundo primitivo dos fjords:

homens que se tornam andarilhos por nostalgia. E os de Walser? Talvez das montanhas de Glarner? Dos pardos de Appenzel, onde nasceu? Não. Eles vêm da noite, quando ela está mais escura, uma noite veneziana, se quiser, iluminada pelos precários lampiões da esperança, com um certo brilho festivo no olhar, mas confusos e tristes a ponto de chorar. Seu choro é prosa. O soluço é a melancolia das tagarelices de Walser. O soluço nos mostra de onde vêm os seus amores. Eles vêm da loucura, e de nenhum outro lugar. São personagens que têm a loucura atrás de si, e por isso sobrevivem numa superficialidade tão despedaçadora, tão desumana, tão imperturbável.”
“Robert Walser”, ensaio sobre Robert Walser escrito por Walter Benjamin. In: Obras Escolhidas I - Magia e técnica, arte e política.

Love is evil -- Zizek

More generally, when one is passionately in love and, after not seeing the beloved for a long time, asks him for a photo to keep in mind his features, the true aim of this request is not to check if the properties of the beloved still fits the criteria of my live, but, on the contrary, to learn (again) what these criteria are. I am in love absolutely, and the photo a priori CANNOT be a disappointment – I need it just so that it will tell me WHAT I love… What this means is that true love is performative in the sense that it CHANGES its object – not in the sense of idealization, but in the sense of opening up a gap in it, a gap between the object’s positive properties and the amagalma, the mysterious core of the beloved (which is why I do not love you because of your properties which are worthy of love: on the contrary, it is only because of my love for you that your features appear to me as worthy of love). It is for this reason that finding oneself in the position of the beloved is so violent, traumatic even: being loved makes me feel directly the gap between what I am as a determinate being and the unfathomable X in me which causes love. Everyone knows Lacan’s definition of love (“Love is giving something one doesn’t have…”); what one often forgets is to add the other half which completes the sentence: “… to someone who doesn’t want it.” And is this not confirmed by our most elementary experience when somebody unexpectedly declared passionate love to us – is not the first reaction, preceding the possible positive reply, that something obscene, intrusive, is being forced upon us?

Bidu

Literacy expert, Dr. Frank Laubach, works late into the night on Afghan reading primers (March 1951). Here, he sits on a table to make the most of the lone lightbulb in his dim hotel room.

Lied Vom Kindsein – Peter Handke

Als das Kind Kind war,
ging es mit hängenden Armen,
wollte der Bach sei ein Fluß,
der Fluß sei ein Strom,
und diese Pfütze das Meer.

Als das Kind Kind war,
wußte es nicht, daß es Kind war,
alles war ihm beseelt,
und alle Seelen waren eins.

Als das Kind Kind war,
hatte es von nichts eine Meinung,
hatte keine Gewohnheit,
saß oft im Schneidersitz,
lief aus dem Stand,
hatte einen Wirbel im Haar
und machte kein Gesicht beim fotografieren.

Als das Kind Kind war,
war es die Zeit der folgenden Fragen:
Warum bin ich ich und warum nicht du?
Warum bin ich hier und warum nicht dort?
Wann begann die Zeit und wo endet der Raum?
Ist das Leben unter der Sonne nicht bloß ein Traum?
Ist was ich sehe und höre und rieche
nicht bloß der Schein einer Welt vor der Welt?
Gibt es tatsächlich das Böse und Leute,
die wirklich die Bösen sind?
Wie kann es sein, daß ich, der ich bin,
bevor ich wurde, nicht war,
und daß einmal ich, der ich bin,
nicht mehr der ich bin, sein werde?

Als das Kind Kind war,
würgte es am Spinat, an den Erbsen, am Milchreis,
und am gedünsteten Blumenkohl.
und ißt jetzt das alles und nicht nur zur Not.

Als das Kind Kind war,
erwachte es einmal in einem fremden Bett
und jetzt immer wieder,
erschienen ihm viele Menschen schön
und jetzt nur noch im Glücksfall,
stellte es sich klar ein Paradies vor
und kann es jetzt höchstens ahnen,
konnte es sich Nichts nicht denken
und schaudert heute davor.

Als das Kind Kind war,
spielte es mit Begeisterung
und jetzt, so ganz bei der Sache wie damals, nur noch,
wenn diese Sache seine Arbeit ist.

Als das Kind Kind war,
genügten ihm als Nahrung Apfel, Brot,
und so ist es immer noch.

Als das Kind Kind war,
fielen ihm die Beeren wie nur Beeren in die Hand
und jetzt immer noch,
machten ihm die frischen Walnüsse eine rauhe Zunge
und jetzt immer noch,
hatte es auf jedem Berg
die Sehnsucht nach dem immer höheren Berg,
und in jeder Stadt
die Sehnsucht nach der noch größeren Stadt,
und das ist immer noch so,
griff im Wipfel eines Baums nach dem Kirschen in einemHochgefühl
wie auch heute noch,
eine Scheu vor jedem Fremden
und hat sie immer noch,
wartete es auf den ersten Schnee,
und wartet so immer noch.

Als das Kind Kind war,
warf es einen Stock als Lanze gegen den Baum,
und sie zittert da heute noch.

Pinocchio

As pessoas mentem muito. Isso é um fato. Recentemente vivi três situações de importâncias variadas e peguei três mentiras. Foi engraçado. É curioso o mecanismo da mentira. É a criação de uma meta-realidade. A que parece melhor que os fatos, ou no mínimo mais fácil de encarar. Só que as percepções informam muito mais que a pegajosa teia de ilusões das palavras. E a verdade é inclemente com a mesquinharia.

minha lindíssima avó de 80 anos mantém longuíssimas madeixas brancas, amarradas num coque, há pelo menos 30 anos, impecável, das 7 da manhã às 11 da noite!

Por um cabelo longo e grisalho na meia-idade por Heloisa Lupinacci Seção: CRÍTICA DE SEGUNDA 25.outubro.2010 17:57:42

Esse texto (em inglês) da escritora e editora Dominique Browning para o New York Times está rodando a internet há alguns dias. Nele, a autora defende o direito de ter cabelo comprido aos 55 anos. Cabelo comprido e grisalho.
Ela lista uma série de críticas que são feitas a ela por manter as madeixas longas. De “você está querendo se esconder” a “isso atrapalha a sua credibilidade profissional”. De fato espera-se das mulheres de “meia-idade” que elas cortem o cabelo. No máximo na altura dos ombros. Velha mesmo, de 70 para cima, melhor que corte curto.
Para “piorar”, Dominique não tinge o cabelo.
Ela está fazendo tudo ao contrário do esperado e é justamente por isso que seu texto está circulando tanto. No domingo, o correspondente do Estado Gustavo Chacra, do blog De Beirute a Nova York, postou esse link no Facebook. Em seguida, uma amiga dele comentou: “Já as mulheres brasileiras continuam com fobia de cabelo curto”. É fato que é muito mais fácil achar mulheres de cabelos compridos do que mulheres de cabelos curtos, basta olhar a seu redor.
Eu acho bem mais difícil ter cabelo comprido do que curto. E não é pelo trabalho que dá nem nada disso. Mas porque o cabelo comprido tem uma sensualidade constante, parcialmente domada quando preso. Mas há um constante sinal de sensualidade. E você tem de lidar com isso, mesmo que não perceba.
Meu palpite é que é por isso que espera-se das mulheres mais velhas que elas cortem o cabelo. Para esse mundo careta, mulheres mais velhas, mães, avós, não rimam com sensualidade. No final de seu texto, Dominique lista a última das acusações feitas a ela por manter a cabeleira:
“Homens gostam de cabelo comprido”. Espera. Você diz isso como uma acusação? Cabelo comprido é arquetípico. E todo mundo sabe que arquétipos são emaranhados de desejo. É por isso que sereias e bruxas têm cabelo comprido. Bailarinas também. Todo mundo conhece a Rapunzel e como ela fica lá sentada na sua torre solitária, com a trança comprida pendurada pela janela, até que o príncipe escale seus cabelos para resgatá-la. Ou engravidá-la, de acordo com a versão que você leu. De um jeito ou de outro, funcionou.
É comum mulheres serem criticadas por outras mulheres por usarem ou adotarem coisas de que os homens gostam. Saia curta, decotão, cabelo comprido… junte tudo isso e mostre para um grupo de mulheres, a resposta vem em um segundo: piriguete. Não é que eu defenda que as mulheres se vistam exclusivamente para agradar aos homens. Mas também não acho que é preciso ir ao extremo oposto. E, muito menos, julgar quem escolhe se enfeitar com esse objetivo.
Tags: cabelo, Crítica de Segunda, Heloisa Lupinacci
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Direito ao Palavrão – Millôr Fernandes


Os palavrões não nasceram por acaso. São recursos extremamente válidos e criativos para prover nosso vocabulário de expressões que traduzem com a maior fidelidade nossos mais fortes e genuínos sentimentos.

É o povo fazendo sua língua. Como o Latim Vulgar, será esse Português Vulgar que vingará plenamente um dia. Sem que isso signifique a “vulgarização” do idioma, mas apenas sua maior aproximação com a gente simples das ruas e dos escritórios, seus sentimentos, suas emoções, seu jeito,sua índole.
“Pra caralho”, por exemplo. Qual expressão traduz melhor a idéia de muita quantidade do que “Pra caralho”? “Pra caralho” tende ao infinito, é quase uma expressão matemática. A Via- Láctea tem estrelas pra caralho, o Sol é quente pra caralho, o universo é antigo pra caralho, eu gosto de cerveja pra caralho, entende?
No gênero do “Pra caralho”, mas, no caso, expressando a mais absoluta negação, está o famoso “Nem fodendo!”. O “Não, não e
não!” e tampouco o nada eficaz e já sem nenhuma credibilidade “Não, absolutamente não! “o substituem. O “Nem fodendo” é irretorquível, e liquida o assunto. Te libera, com a consciência tranqüila, para outras atividades de maior interesse em sua vida. Aquele filho pentelho de 17 anos te atormenta pedindo o carro pra ir surfar no litoral? Não perca tempo nem paciência. Solte logo um definitivo “Marquinhos, presta atenção, filho querido, NEM FODENDO!”. O impertinente se manca na hora e vai pro Shopping se encontrar com a turma numa boa e você fecha os olhos e volta a curtir o CD do Lupicínio.
Por sua vez, o “porra nenhuma!” atendeu tão plenamente as situações onde nosso ego exigia não só a definição de uma negação, mas também o justo escárnio contra descarados blefes, que hoje é totalmente impossível imaginar que possamos viver sem ele em nosso cotidiano profissional. Como comentar a bravata daquele chefe idiota senão com um “é PhD porra nenhuma!”, ou “ele redigiu aquele relatório sozinho porra nenhuma!”. O “porra nenhuma”, como vocês podem ver, nos provê sensações de incrível bem estar interior. É como se estivéssemos fazendo a tardia e justa denúncia pública de um canalha. São dessa mesma gênese os clássicos “aspone”, “chepone”, “repone” e, mais recentemente, o “prepone” – presidente de porra nenhuma. Há outros palavrões igualmente clássicos.
Pense na sonoridade de um “Puta-que-pariu!”, ou seu correlato “Puta-que-o- pariu!”, falados assim, cadenciadamente, sílaba por sílaba… Diante de uma notícia irritante qualquer um “puta-que-o-pariu!” dito assim te coloca outra vez em seu eixo. Seus neurônios têm o devido tempo e clima para se reorganizar e sacar a atitude que lhe permitirá dar um merecido troco ou o safar de maiores dores de cabeça.
E o que dizer de nosso famoso “vai tomar no cú!”? E sua maravilhosa e reforçadora derivação “vai tomar no olho do seu cú!”.Você já imaginou o bem que alguém faz a si próprio e aos seus quando,passado o limite do suportável, se dirige ao canalha de seu interlocutor e solta: “Chega! Vai tomar no olho do seu cú!”. Pronto, você retomou as rédeas de sua vida, sua auto-estima. Desabotoa a camisa e saia à rua, vento batendo na face,olhar firme,cabeça erguida, um delicioso sorriso de vitória e renovado amor-íntimo nos lábios.
E seria tremendamente injusto não registrar aqui a expressão de maior poder de definição do Português Vulgar: “Fodeu!”. E sua derivação mais avassaladora ainda: “Fodeu de vez!”. Você conhece definição mais exata, pungente e arrasadora para uma situação que atingiu o grau máximo imaginável de ameaçadora complicação? Expressão, inclusive, que uma vez proferida insere seu autor em todo um providencial contexto interior de alerta e auto-defesa. Algo assim como quando você está dirigindo bêbado, sem documentos do carro e sem carteira de habilitação e ouve uma sirene de polícia atrás de você mandando você parar: O que você fala? “Fodeu de vez!”.
Sem contar que o nível de stress de uma pessoa é inversamente proporcional à quantidade de “foda-se!” que ela fala. Existe algo mais libertário do que o conceito do “foda-se!”? O “foda-se!” aumenta minha auto-estima, me torna uma pessoa melhor. Reorganiza as coisas. Me liberta. “Não quer sair comigo? Então foda-se!”. “Vai querer decidir essa merda sozinho(a) mesmo? Então foda-se!”. O direito ao “foda-se!” deveria estar assegurado na Constituição Federal. Liberdade, igualdade, fraternidade e foda-se!. Grosseiro, mas profundo…
Pois se a lingua é viva, inculta, bela e mal-criada, nem o Prof. Pasquale explicaria melhor. “Nem fodendo…”